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A Nossa Missão
A SPEA é uma ONG de ambiente sem fins lucrativos, que tem por missão trabalhar para o estudo e a conservação das aves e seus habitats, promovendo um desenvolvimento que garanta a viabilidade do património natural para usufruto das gerações futuras.
Notícias


Uma semana em cheio


No final de maio, os sócios da SPEA que participaram na visita ornitológica ao nordeste de Portugal viveram uma semana repleta de biodiversidade, belas paisagens e fartas refeições, bem ao estilo nortenho. Partilhamos aqui os pontos altos de cada dia.

Dia 1
Durante a viagem, avistaram uma fantástica cegonha-preta a sobrevoar um campo cultivado lateral à A23, e várias outras espécies planadoras deram também um ar da sua graça: os comuns mas não menos belos cegonha-branca e milhafre-preto.

Durante uma breve paragem para piquenique na foz do rio Côa, várias aves se mostraram, como que dando as boas-vindas ao grupo. Destacam-se os voos de um casal de papa-figos entre as margens do rio, assim como um grifo-comum a sobrevoar alto.

Mais tarde, na zona da barragem do Pocinho, conseguiram observar algumas das mais características espécies da região, com destaque para um vistoso macho de chasco-preto – espécie rara e escassamente distribuída no nosso país. Neste local, foi ainda possível observar com grande qualidade pardal-espanhol, peneireiro-vulgar e um melro-azul, dedicado à marcação de território, cantando no topo um cedro. E ainda a cada vez mais escassa rola-brava, que permitiu uma boa observação e excelentes fotos!

Dia 2
Logo ao pequeno-almoço, o grupo teve o prazer de observar um atarefado casal de andorinhas-dáurica na sua rotina de alimentar as crias no ninho, feito em cima de uma janela por fora da sala de refeições.
Pouco mais tarde, quando esperavam por quem tomava o café expresso da manhã, um gavião macho sobrevoou o grupo a uns próximos 20 metros, oferecendo a alguns a melhor observação desta espécie.

Já no planalto da Mofreita – um planalto rochoso com matos baixos, situado entre Portugal e Espanha – a primeira grande observação foi um espetacular macho de picanço-de-dorso-ruivo, espécie escassa e de distribuição restrita em Portugal, seguido do avistamento de uma fêmea da mesma espécie, que rapidamente se juntou ao macho.

Até durante a pausa para almoço em Moimenta, o grupo pôde observar – e fotografar – aves. Ouviu-se o canto de vários chapins-rabilongos, que facilmente se mostraram nos ramos por cima da mesa de piquenique, resultando numa corrida pelo material fotográfico. Logo de seguida, também trepadeira-azul, trepadeira-do-sul e pisco-de-peito-ruivo se mostraram, não dando descanso aos dedicados fotógrafos no grupo.
Dia 3
No ponto mais alto do Parque Natural de Montesinho, a Lama Grande, foi impossível não ouvir o peculiar canto das petinhas-das-árvores, abundantes naquele local!
A tarde foi uma agradável caminhada por entre um vale selvagem que ainda preserva a sua beleza natural: o vale do rio Sabor, que possui uma beleza indescritível, com altos penhascos e densos bosques de folhosas e também uma incrível diversidade de borboletas.

Dia 4
Na primeira incursão ao país vizinho, num bosque de carvalhos alagado nas imediações da vila de Moveros, observaram várias espécies interessantes, como cia, felosa-de-papo-branco, petinha-das-árvores, poupa e águia-calçada. A expectativa para o local era observar a sombria, um pequeno passeriforme da família das escrevedeiras, que embora presente e a cantar, não se mostrou, estando sempre demasiado distante.

Mais tarde, num misto de amendoal e carvalhal, avistaram pela primeira vez pardal-montês – o mais pequeno dos pardais de Portugal – e também pardal-francês. Estava completa a família dos pardais! Já com vista para o rio Douro, foi visto um casal da bela e reservada cegonha-preta, no ninho. Uma observação privilegiada desta espécie característica de habitats rupícolas do interior de Portugal, e com uma população estável no Douro Internacional.

O ponto alto desta manhã aconteceu enquanto a maior parte do grupo observava um casal de toutinegra-de-bigodes, que facilmente conquistaram a atenção de quase todo o grupo. Durante este período, uma das participantes apercebeu-se de uma ave diferente num pequeno carvalho próximo do silvado.

Felosa-de-papo-branco (Phylloscopus bonelli). Foto: José Leal





Cegonha-preta (Ciconia nigra). Foto: José Leal





Era um macho de sombria! Rapidamente as atenções se viraram para esta bela ave, mais característica das regiões montanhosas de Portugal, embora com populações no planalto mirandês.

Descendo em direcção ao rio, as grandes aves planadoras revelaram-se, com um grande bando de grifos-comuns a preencher o horizonte enquanto ganhavam altitude. No meio deste grupo, ainda foram observados alguns britangos e também uma cegonha-preta! Também um milhafre-real, felosas-de-papo-branco e toutinegras-reais, entre outras espécies, estavam presentes no local.

Durante a tarde, poucos minutos após começar um passeio de barco, já se viam as primeiras aves, começando por um milhafre-preto que brevemente acompanhou o barco. A tranquilidade e beleza da paisagem seriam suficientes para fazer a tarde de qualquer um, mas ainda assim, o grupo foi brindado logo de seguida por um britango a voar a curta distância e por um casal de cegonhas-pretas. Durante a viagem, não seriam vistas mais cegonhas-pretas, mas britangos foram vários os casais observados, assim como grifos-comuns, tanto adultos como juvenis do ano. O ponto alto do passeio de barco ocorreu quando a 150 metros foi observado o primeiro casal de águia-real. Até ao final da viagem, outras espécies como andorinhão-real, peneireiro-vulgar e andorinha-das-rochas também foram observadas.

Dia 6
Numa segunda incursão a Espanha, desta vez ao magnífico complexo lagunar das Lagunas de Villafáfila. Pelo caminho, algumas paragens possibilitaram a observação de uma das espécies mais esperadas: a abetarda! Seria um bom prenúncio para o resto do dia nesta zona com a maior densidade de abetardas na Península Ibérica, com uma população superior a 2000 indivíduos.

Nas ruínas da aldeia abandonada de Otero de Sariegos, um casal de águia-sapeira proporcionou um dos momentos da semana, digno que qualquer documentário de vida selvagem, com o macho a entregar uma presa à fêmea durante o voo. Um momento extraordinário!
Algumas paragens para procurar outras espécies permitiam sempre voltar a observar abetardas, às vezes até em grandes grupos de até 30 indivíduos! Numa destas paragens, o grupo observou ainda dois alcaravões – uma espécie extremamente mimética e de hábitos semi-noturnos – que caminhavam no topo de uma colina, escondidos por entre a vegetação. Numa outra paragem, enquanto o grupo estava focado num grupo de abetardas, um sisã macho passou em voo a alguma distância, permitindo a sua observação a duas pessoas, antes de desaparecer por entre vegetação e fardos de palha.


Casal de águias-sapeiras (Circus aeruginosus) em passagem de alimento. Foto: José Leal




Algumas paragens para procurar outras espécies permitiam sempre voltar a observar abetardas, às vezes até em grandes grupos de até 30 indivíduos! Numa destas paragens, o grupo observou ainda dois alcaravões – uma espécie extremamente mimética e de hábitos semi-noturnos – que caminhavam no topo de uma colina, escondidos por entre a vegetação. Numa outra paragem, enquanto o grupo estava focado num grupo de abetardas, um sisão macho passou em voo a alguma distância, permitindo a sua observação a duas pessoas, antes de desaparecer por entre vegetação e fardos de palha.

Dia 7
Durante um pequeno percurso na zona envolvente a Fariza, no Parque Natural Arribes del Duero, um territorial trigueirão impressionou pela insistência em cantar sempre a partir do mesmo ponto, assim como um picanço-barreteiro, também ocupado na marcação de território, não muito distante do trigueirão. Contudo, a espécie que chamou à atenção foi a toutinegra-real, com vários indivíduos a cantar em redor do caminho. Desta vez, um indivíduo mostrou-se a alguns membros do grupo durante breves instantes! A maior toutinegra presente em Portugal destacou-se num arbusto, com o seu característico olho branco. Já no miradouro, espécies como cia, andorinha-das-rochas e andorinha-dos-beirais mostraram-se ao grupo, além dos quase omnipresentes grifos-comuns e britangos. Embora distantes, também as peculiares gralhas-de-bico-vermelho estiveram presentes, sempre a rondar a margem portuguesa do rio Douro.

Após almoço, o grupo assistiu à abertura oficial do ObservArribas, o Festival Ibérico de Natureza das Arribas do Douro, este ano na sua segunda edição, e ao fim do dia participou também no jantar do festival.

Dia 8
No dia em que o grupo rumou novamente a Lisboa, pararam na margem da barragem do Pocinho, prontos para a segunda ronda de busca pelo chasco-preto. No mesmo sítio onde tinha sido visto uma semana antes, lá estava um macho, que andava em fervorosa atividade alimentar e de vigilância do seu território. Desta vez todos viram bem o pássaro com o telescópio, apesar dele se encontrar bastante elevado na encosta. A presença dos binóculos atraiu a atenção de um proprietário local, que explicou que a pedreirola (chasco-preto) é um pássaro que já foi muito comum no passado, e que as pessoas conhecem de fazer o ninho nos muros de pedra e de tapar a entrada com pedrinhas.

O grupo ainda fez uma segunda paragem para tentar ver mais pedreirolas, mas o pássaro preto de cauda branca não voltou a ver-se. Em vez disso foram presenteados com um pardal-espanhol fotogénico e um festival de aves planadoras: em pouco mais de cinco minutos apareceram uma cegonha-preta, dois grifos, uma águia-real, uma águia-calçada fase escura e uma águia-perdigueira imatura. Nada mau para terminar uma semana ornitológica extraordinária, segundo a opinião dos participantes.

Para saber todos os detalhes da visita e consultar a lisa de espécies observadas, pode ler o relatório da visita.

Imagem de abertura: Picanço-de-dorso-ruivo (Lanius collurio). Foto: José Leal
27 de junho de 2018







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