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A Nossa Missão
A SPEA é uma ONG de ambiente sem fins lucrativos, que tem por missão trabalhar para o estudo e a conservação das aves e seus habitats, promovendo um desenvolvimento que garanta a viabilidade do património natural para usufruto das gerações futuras.
Notícias


Voando por um país encantado


No Butão, o tempo passa devagar. Neste pequeno reino anichado nos Himalaias, entre a China e a Índia, seguem-se vagarosamente as serpenteantes estradas e os sinuosos caminhos, montanhaacima e montanha abaixo. Pelo caminho, a paisagem vai também mudando com a altitude, neste país onde tudo parece misturar-se: natureza e construção, mito e realidade, trajes tradicionais e calças de ganga.

Por entre o verde das florestas de montanha sobressaem os templos-fortaleza, ou Dzong, encavalitados à beira de precipícios vertiginosos. O mais famoso, o mosteiro de Taktsang, ou Ninho do Tigre, data do século XVII.

Situado no oeste do país, o templo encaixa na caverna onde, segundo a lenda, Padmasambhava (que trouxe o budismo ao país) terá meditado durante três anos, três meses e três dias, depois de chegar da Índia nas costas da sua consorte, que teria assumido a forma de um tigre voador. Por instantes, a lenda parece fundir-se com a realidade, quando um rasgo laranja surge por entre os ramos. Não será um tigre voador, mas poderá bem ser um macho de calau-de-pescoço-ruivo Aceros nipalensis, resplandecente no manto flamejante que lhe cobre grande parte do corpo.

Junto ao tronco de uma árvore, uma pequena “fogueira” de laranjas e vermelhos revela-se um pica-pau-de-barriga-ruiva Dendrocopos hyperythrus, a tamborilar em busca de insetos ou de seiva.

Laranjas, vermelhos, verdes, azuis… as cores garridas das aves do Butão parecem refletidas nas bandeiras de prece budistas que ondulam ao vento. Por vezes, a palete é tal que as próprias aves parecem pintadas, criações fictícias de uma mente fértil. Que melhor explicação para a existência de uma ave de corpo verde e cabeça azul-turquesa com uma mancha vermelha no cocuruto? Mas a realidade é melhor que a ficção: o barbeiro-de-garganta-azul Megalaima asiatica existe mesmo, e para além das cores ecléticas ainda tem uns farfalhudos “bigodes” pretos em redor do bico.

Mais perto do solo, umas manchas rechonchudas de ocre e verde podem ser vistas a saltitar em busca de insetos. A risca branca sobre o sobrolho revela que são “White-browed Piculets” Sasia ochracea. Com sorte, antes de deixar a floresta avista-se ainda uma das aves mais raras dos Himalaias: o “Blue-fronted Robin” Cinclidium frontale.

Nos vales mais férteis, há arrozais e plantações onde os grous-de-pescoço-preto Grus nigricollis vêm alimentar-se. Alguns terão certamente sobrevoado Chorten Kora – um local de culto que é também a maior atração turística da zona este do país, e que parece uma escultura de açúcar pousada por engano no meio do verde.

Das construções nos sítios mais improváveis às aves que parecem pinturas de fantasia, no Butão as cores parecem saltar de todas as paisagens, e ao mesmo tempo fazer parte delas.

18 de junho de 2019
Foto: Sirsendu Gayen (CC BY-SA 4.0)










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